Embarques realizados ao longo dos trechos ajudam a explicar por que o dinheiro em espécie ainda faz parte da realidade do transporte rodoviário; evasão de receita, conciliação, transporte de valores e segurança estão entre os desafios para as empresas.
Em um cenário no qual Pix, cartões e outros meios digitais fazem cada vez mais parte da rotina dos brasileiros, falar sobre dinheiro em espécie pode parecer uma discussão do passado. No transporte rodoviário, porém, existe uma realidade particular: o chamado “dinheiro embarcado”, especialmente presente em viagens nas quais passageiros podem embarcar ao longo do trecho, fora dos terminais rodoviários.
A situação ainda é comum principalmente em determinadas ligações entre cidades do interior. O passageiro embarca em um ponto previsto no percurso — próximo a um posto, estabelecimento comercial, acesso rodoviário ou outro local de parada — e realiza o pagamento da passagem naquele momento. Muitas vezes são viagens de menor valor, pagas com algumas notas ou até moedas. Individualmente, parecem pequenas transações. Somadas ao longo da operação, no entanto, ajudam a manter uma dinâmica que exige recebimento, conferência, controle e conciliação de dinheiro dentro dos veículos.
É justamente esse dinheiro que representa um desafio adicional para a digitalização. Quanto custa, de fato, para uma empresa de transporte rodoviário manter essa dinâmica? A resposta vai muito além do valor que circula nas viagens. A operação com dinheiro embarcado envolve desafios relacionados à segurança, à conciliação financeira, ao transporte de valores e ao controle das receitas — além do risco de evasão que pode acompanhar processos menos rastreáveis.
“Quando falamos sobre dinheiro embarcado, não estamos falando simplesmente de alguém que escolheu pagar uma passagem em dinheiro. Existe uma característica própria da operação rodoviária, principalmente nos embarques realizados ao longo dos trechos. É aquele passageiro que entra durante o percurso, muitas vezes para uma viagem mais curta, e faz o pagamento naquele momento. Esse dinheiro precisa entrar em uma cadeia de controle da empresa”, explica André Luiz Cezar, Head de Negócios da X4Fare.
Em uma operação que movimenta milhares de passageiros, cada etapa relacionada ao dinheiro pode representar um custo adicional. O valor recebido precisa ser registrado, conferido, conciliado e posteriormente transportado. Ao mesmo tempo, a circulação de numerário dentro dos veículos acrescenta uma preocupação relacionada à segurança de motoristas e passageiros.
O problema também está relacionado à visibilidade sobre a receita. Quanto mais processos dependem de dinheiro físico e controles manuais, maior pode ser a dificuldade para acompanhar as informações de maneira integrada. A falta de rastreabilidade pode dificultar a identificação de inconsistências e ampliar os desafios de conciliação.
“Não se trata simplesmente de acabar com o dinheiro. Precisamos pensar em como facilitar para esse passageiro o acesso a outras formas de pagamento. Se hoje ele consegue embarcar durante o trecho e pagar em espécie de maneira simples, o desafio é fazer com que o digital seja tão fácil ou ainda mais conveniente para ele”, complementa.
Essa mudança passa, portanto, por uma transformação cultural. Para o passageiro, a digitalização precisa representar facilidade, e não criar uma nova barreira para o embarque. Para a empresa, o canal digital precisa oferecer não apenas outra forma de receber a passagem, mas também maior capacidade de acompanhar a transação e integrar as informações à gestão da operação.
Facilitar o digital
É nesse ponto que entram soluções como as carteiras digitais. Em vez de tratar a digitalização apenas como uma substituição do dinheiro físico, as empresas podem criar canais próprios que permitam ao passageiro realizar pagamentos de maneira digital e, ao mesmo tempo, estabelecer uma relação mais direta com quem utiliza seus serviços.
“Uma Carteira Digital pode ser muito mais do que uma forma de pagar a passagem. Ela cria um canal próprio entre empresa e passageiro e permite que a operação comece a trabalhar com uma lógica diferente: menos dependência do dinheiro físico e mais capacidade de acompanhar, compreender e se relacionar com quem utiliza o serviço”, afirma André Luiz.
A discussão, portanto, não é apenas tecnológica. Trata-se de compreender por que o dinheiro ainda permanece presente em determinados momentos da viagem e, a partir dessa realidade, criar alternativas capazes de mudar gradualmente a cultura de pagamento.
Para a X4Fare, a digitalização do transporte rodoviário passa justamente por esse movimento: identificar situações concretas da operação e utilizar a tecnologia para criar processos mais seguros, rastreáveis e eficientes. Se o dinheiro continua sendo conveniente justamente nos embarques realizados ao longo do trecho, o desafio talvez não seja simplesmente retirá-lo da operação, mas tornar o digital ainda mais fácil para quem está embarcando.
Sobre a X4Fare
A X4Fare é uma empresa brasileira especializada em soluções digitais para o transporte rodoviário. Desenvolve tecnologias voltadas à digitalização dos pagamentos, Carteira Digital White Label, Vale-Transporte Rodoviário Digital, gestão de créditos, programas de fidelização e relacionamento entre empresas e passageiros, contribuindo para uma mobilidade mais inteligente, eficiente e conectada.
Jornalista Responsável: Anselmo Dequero (MTB 29.034/SP)
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